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Curitiba, 8 de setembro de 2010
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Entrevista: Conversa franca com Carlo Freitas Parte II
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15h12 9/9/2009 :: 15h12
Ph: Como é que é? Software, quando foi isso?
CF: Isso foi em 96 ou 97, essa época aí. O troço transformava texto em voz. Era o SAAMS (Sistema Automático de Anúncios e Mensagens Synchro). Pegava linhas de texto do computador assim “Varig, vôo tal e tal” e transformava em voz. Guarulhos era nosso. Pô, foi fantástico! Guarulhos, Viracopos... Eu tava montando Congonhas, Campo Grande já tinha montado. Fiz um programa parecido para a rodoviária aqui de Curitiba. Na renovação do contrato eu tive uma bela surpresa, o departamento de informática da URBS copiou o meu programa. Eu vou levar essa história até o CQC; vou entregar pro Bastos, lá. Foi a mesma história com o chamada a cobrar.

Ph: Tem essa também. Você criou a vinheta, né?
CF: Essa história é o seguinte. Em 87 me pediram, foi a Telepar que pediu, pra eu criar uma musiquinha de três segundos. Só que agora a coisa ferveu. O que aconteceu? O pior aconteceu; pra minha sorte. O governo transformou minha música em lei, acho que é a resolução 282, alguma coisa assim. Todas as operadoras têm de usar aquela vinheta. Só que eu não dei autorização pra ninguém, agora a coisa fedeu, vai virar briga com órgão federal. O bom é que tenho um contato com um advogado bem competente. Liguei, e já fechei o contrato com um advogado e com um escritório do filho do Mello Franco, o Henrique de Mello Franco. Quando falei que virou lei, os advogados fizeram a festa “agora tá armado, agora a coisa vai feder”, disseram.

Ph: Qual é a grande competência do pessoal mais novo, da nova geração?
CF: Hoje, cara, eu acho que é a tecnologia. O avanço dessa tecnologia, facilitou a vida de todo mundo, de diretor, de músico e tal. Hoje, o cara compra um computador, baixa, com um emule da vida, o premiere da internet, e faz o trabalho em casa. O resultado que eles atingem é até que razoável. E pra TV tem muita cosa sendo feita em flash, sabe. O cara lá, que era funcionário de uma agência, vai pra casa e faz as coisas em flash, né. É bonitinho, fica bem na TV. Dá pra botar na mídia.

Ph: O que aconteceu com o MD? Não era uma mídia promessora?
CF: O MD desapareceu, já era. Em termos de mídia era bom, sim, porque era pá-pum. Você gravava e já botava no ar, tudo rapidinho com pouca perda. Mas aí começaram a descobrir que a mídia era fraca, o sistema de gravação era super frágil. Quebrar cabeça do gravador de MD e perder dados era a coisa mais normal do mundo. Hoje é mp3, a única forma de fazer as coisas.

Ph: O videolaser também sumiu...
CF: Mas o videolaser era inviável, né. Era tudo muito caro e complicado. O processo de gravação, de compactação, tudo muito caro. O DVD veio pra salvar a pátria, mas aí o DVD já era pouco e veio o Blue Ray e agora tem mais coisa vindo aí. Agora o lance é o sólido. Teu HD não tem porquê ter peça móvel.

Ph: Você tem alguma saudade?
CF: Tenho. Tenho do analógico, do tempo em que a gente trabalhava com as fitas de duas polegadas. É que o som do Analógico era um pouco diferente; não é como o pessoal fala “o som é mais quente”, não é nada disso. O analógico é sujo, e a gente tava acostumado com a sujeira, mas aí veio o digital, que não tinha sujeira nenhuma e começaram a achar ruim. Mas, em várias revistas americanas, eu li que o audiófilo americano reclamava mais é da ausência do ruído, todo mundo reclamava e dizia que não tem graça, porque não tem ruído.
Antigamente, quando você ia fazer uma edição, a coisa era na gilete. Era marcar a entrada ali com um risco, cortar com a gilete e pendurar na parede. Era assim, na colinha. Hoje, não. Ó, que maravilha, é tudo muito fácil (Freitas aponta para um dos dois monitores a sua frente, dá um tapa na barra de espaço e mostra um cursor avançando sobre a trilha na qual trabalha). Mas a dependência dessas tecnologias é uma coisa perturbadora. Se me perguntar, eu digo que o “Computador é uma máquina para resolver problema que não havia” essa é a grande verdade, né.

Ph: Nesse processo de criar trilha deve ter pintado bastante coisa estranha, não?
CF: Nem me fale. Lembro de um cliente que chegou pra mim e pra Ângela, e pediu uma trilha. Mas o cara não fazia a menor idéia do quê queria, era um cliente de SP. Foi bem na época de lançamento do filme Tubarão. A gente tava esperando os dados pra trabalhar e o cara não se decidia. Aí, ele veio com essa “Já sei. Vocês viram o filme Tubarão? É aquilo que eu quero, é aquela trilha. Só que...alegre”. Alegre? Meu, a trilha do filme era “Tchan, tchan, tchan” um cello super pesado, não tinha como.

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